Quem me conhece, sabe que gosto muito de viajar. Tive sorte de encontrar uma companheira – Thaís – que também adora conhecer novas culturas. Em julho viajamos, juntamente com nossa pequena Cecília, para o sul da França. Queríamos conhecer a região da Provence e da Cote d’azur – locais lindíssimos, em que o tempo ajudou muito, apesar do calor excessivo registrado lá. Fixamos residência em Aix en Provence e em Nice, cidades estratégicas para explorar as duas regiões.

Decidimos, desta vez, alugar apartamento ao invés de hotel, a fim de propiciar melhor ambiente para nossa princesa. Ambas as locações se deram pelo Airbnb. Tudo ia muito bem, até que num final de tarde de quarta-feira, em nosso retorno para o apartamento em Nice, fomos surpreendidos com a porta arrombada. Além de diversos bens materiais, levaram, também, nossos passaportes. Aí começou uma experiência até então nunca vivida por nós. Conviver com a falta desse documento no exterior.

Entramos em contato com a proprietária do imóvel, que por sorte morava em Nice, e, imediatamente, acionou a polícia, que em pouco tempo estava no apartamento. De nada adiantou. Além de não falar uma palavra em Inglês (o que por sinal é comum entre muitos franceses daquela região), o policial não conseguiu dar nenhum encaminhamento proveitoso. Ficou 30 minutos no imóvel para nos passar um endereço do departamento de polícia local onde deveríamos registrar o boletim de ocorrência, local esse que já tínhamos obtido por telefone na central de lá. Imediatamente nos dirigimos para o departamento indicado. Chegando lá, fomos surpreendidos com a notícia que somente uma policial fazia boletim de ocorrência para estrangeiros, pois era a única que falava Inglês. Ela não estava no momento e deveríamos retornar na manhã seguinte. Foi o que fizemos. Cedo estávamos lá para esse procedimento, que deveria ser o primeiro de uma série de outros. Para nossa infelicidade, o carro dela havia quebrado e não poderia ir trabalhar de manhã. Nesse momento lembrei das várias reclamações que temos de nossos serviços aqui nos trópicos e tive uma pequena sensação de alívio em perceber que não somos os únicos privilegiados por maus serviços públicos. Aí iniciou uma saga para conseguir registrar o boletim de ocorrência em outras cidades, pois já era quinta-feira e nosso retorno ocorreria, se tudo desse certo, no sábado. Obtivemos muitas informações desencontradas dos departamentos de polícia de lá. Nesse processo de desatar os nós em que nos deparávamos a cada momento, lembrei o quanto a situação se agravaria se os nossos celulares e cartões de créditos também tivessem sido roubados.

Outro ponto que gostaria de destacar é o péssimo atendimento de nossas extensões do Itamaraty. Após muito sacrifício para conseguir uma ligação para o consulado em Paris (pois é o único existente na França), fomos surpreendidos por um atendimento de uma central telefônica que nos orientou a encaminhar um e-mail a eles com a nossa solicitação. Ah…poderíamos também fazer por carta. Olhe que maravilha! Antes que pudéssemos tentar obter qualquer outra informação, o telefone foi desligado. Descobrimos que o consulado de Paris não atende telefone, pois não possui equipe suficiente para tal. Todas as informações que conseguimos para lidar nessa situação foi por meio do site do consulado, que por sinal não possuía todas as informações que necessitávamos, e de blogs, que como sabemos, fornecem informações desencontradas. Decidimos viajar para Paris de trem – 900km de distância – a fim de encontrarmos as respostas para todos os nossos questionamentos.

Por sorte, quando estávamos em Marseille, para pegar o trem para Paris, fomos surpreendidos com a ligação da dona do apartamento de Nice, informando que o “bom” ladrão decidiu devolver os passaportes. Retornamos para Nice e o pesadelo se encerrou.

Decidi escrever esse texto a fim de alertar possíveis viajantes que, como eu, não têm ideia de como lidar com numa situação como essa, bem como acalentar os corações raivosos que tanto criticam os serviços públicos brasileiros, dos quais faço parte. Pelo menos, na experiência que tivemos, constatamos muitas deficiências nesse serviço público da França.

Para quem tiver uma má sorte como a nossa, segue uma informação. Há um documento que pode ser expedido pelo cônsul, a seu critério, chamado de ARB – Autorização de Retorno ao Brasil. Esse documento, emitido em caráter de urgência, pode ser emitido no mesmo dia, sem custo, e serve para que você consiga embarcar diretamente ao Brasil. É uma forma barata e rápida de resolver sua situação, sem a necessidade de fazer um passaporte de emergência, que leva 3 dias úteis para ficar pronto. Após termos nossos passaportes de volta, fomos surpreendidos por um e-mail do consulado (sim…mandamos um e-mail a eles), informando que nossa situação seria resolvida com o ARB.

Diante desse fato, sugiro que, ao fazer uma viagem ao exterior, verifique onde fica o consulado mais próximo e os encaminhamentos necessários em caso de perda ou extravio de passaporte. É uma pesquisa que leva pouco tempo, mas que pode ajudá-lo, e muito, em uma situação como a que vivenciamos. Vale lembrar que as comunicações, fora do país, se tornam muito mais difíceis. Fica a dica! Au revoir

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