O setor educacional é um dos últimos segmentos importantes da economia que está passando pelo processo de profissionalização. E o que vem a ser isso? A profissionalização é o processo pelo qual as instituições e organizações atravessam para obter eficiência em suas áreas fins e áreas meios, e com isso, utilizarem melhorem seus recursos, ou seja, fazer mais, com menos. As instituições educacionais privadas ainda estão em processo de profissionalização, pois o setor, historicamente, sempre foi altamente regulado, o que não propiciava a livre concorrência. Já na educação pública, o processo se dá como na maioria dos serviços públicos: ineficiência subsidiada pelo Governo com pouco cobrança pela sua performance. Agora, com a escassez de recursos públicos é que a onda da eficiência começa a fazer parte da pauta dos gestores públicos.

Até a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 (LDB 9394/96) não era permitido que existissem instituições de educação superior com fins lucrativos e a oferta desse nível educacional era feita basicamente por instituições públicas e filantrópicas. Somente após esse período é que se teve início ao mercado da educação superior, com o surgimento e o crescimento avassalador de instituições diversas com fins lucrativos. Muitos fundos de investimentos e grandes grupos internacionais de educação viram um momento oportuno para se investir no Brasil nesse segmento. A grande concorrência que a educação superior experimentou a partir da metade da década passada, aliada à inserção de organizações de outros segmentos no setor educacional , fizeram com que rapidamente a gestão desse segmento se profissionalizasse, mesmo que ainda com certo grau de ineficiência. As instituições se obrigaram a incorporar ferramentas e técnicas de gestão sob pena de tornarem-se insustentáveis. Hoje verificam-se instituições com elevado grau de profissionalismo, especialmente entre os grandes grupos educacionais que habitam esse segmento.

Já na educação básica privada, a necessidade de profissionalização está vindo a passos lentos. Esse segmento ainda continua a ser dominado quase que, exclusivamente, por instituições familiares e confessionais, com baixo grau de eficiência em seus processos internos. Porém, com a estagnação de matrículas que a educação superior tem experimentado nos últimos anos, especialmente na modalidade presencial, muitos grupos educacionais vem direcionando seus esforços para se inserir fortemente nesse nível de ensino. Esse movimento mudará o mercado e ocasionará uma necessidade rápida de profissionalização na gestão das instituições nos próximos anos, a exemplo do que aconteceu na educação superior privada.

A profissionalização não deve ser algo restrito ao setor privado. A sociedade não tem mais condições de subsidiar ineficiências nos serviços públicos. Não há mais espaço para amadorismo na gestão. Estamos constatando diariamente cortes de verbas significativas nas universidades públicas, fazendo com que elas atravessem uma crise sem precedentes. E nada indica que esse cenário mude nos próximos anos. O custo de um aluno em uma instituição pública de educação superior é muito superior ao de um aluno em uma instituição privada. Esse cenário vai exigir dos gestores das universidades públicas um elevado grau de profissionalização, sob pena de sucumbirem.  

Ao analisar a educação pública de nível básico, constata-se um cenário ainda pior, porém aqui em termos de resultado do processo educacional. As avaliações de aprendizagens externas realizadas sistematicamente por instituições governamentais e não governamentais, implantado após os anos 90, desnudou uma realidade que, para parcela significativa da população, não era tão explícito. Mostrou que a educação brasileira patina e não consegue fazer com que seus alunos desenvolvam competências básicas para exercer sua cidadania com plenitude. O Brasil ocupa as últimas posições no exame do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que mede o nível educacional de jovens de 15 anos por meio de provas de leitura, matemática e ciências. Segundo a OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – somente 2,1% dos alunos carentes brasileiros aprendem nível aceitável em ciências.

Diante do que está sendo apresentado, fica evidente que não se tem mais como postergar o processo de profissionalização das instituições educacionais, seja pública ou privada, de nível básico ou superior. Nas instituições privadas a exigência vem do mercado; nas públicas, da sociedade. Enfim, os gestores educacionais precisam buscar inspiração em outros setores econômicos a fim de vencer esse grande desafio da profissionalização. Chegou a hora!

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