Quando se discute os impactos que a inteligência artificial (IA) terá na sociedade e na vida das pessoas, duas correntes emergem. Uma, liderada especialmente por entusiastas de tecnologia e por empresas provedoras de soluções tecnológicas, tem visão promissora. Vislumbram que a IA poderá trazer melhor qualidade de vida para as pessoas, na medida em que poderá proporcionar educação individualizada e customizada, diagnósticos antecipados de doenças, transportes mais eficientes, produção abundante de bens, redução de emissão de gás carbônico, entre tantas outras benesses. Outra corrente vê na IA uma séria ameaça. Alguns, inclusive, com visão apocalíptica, vislumbram à submissão do homem à máquina, quando esta suplantar o ser humano na sua inteligência, o que não pode ser descartado. Pessoalmente, acredito que experimentaremos efeitos positivos e negativos da IA, em proporções que só o tempo mostrará, assim como ocorreu com outras tecnologias revolucionárias que impactaram nossa sociedade.

Mas um dos pontos negativos que mais me preocupa é o cenário que se desenha em relação ao mercado de trabalho. Quando o mundo experimentou a primeira revolução industrial, impulsionada pela criação da máquina a vapor, um contingente de pessoas oriundas do meio agrícola foi demanda pelas indústrias. Aquela revolução deu importância às massas, pois a produção dependia de mão de obra. Já com a eclosão da IA, a força de trabalho, especialmente a desqualificada, pode, em breve, se tornar dispensável nos diversos setores da economia. Países poderão se tornar irrelevantes.

No passado, as máquinas competiram com os seres humanos na força e habilidade física, tomando empregos repetitivos na agricultura e indústria. Agora, com a IA, os algoritmos competirão com os seres humanos na habilidade cognitiva, impactando fortemente o setor de serviços, último setor da economia a ser invadido pelas máquinas. Como muito bem relatou Harari1 em seu livro, muitas pessoas poderão compartilhar do destino, não dos condutores de carroças, que passaram a ser taxistas no século XIX, mas sim dos cavalos que foram expulsos do mercado de trabalho. A corrente entusiasta da IA acredita que postos de trabalho serão substituídos por outros demandados por essa tecnologia. Disso não resta dúvida. Mas será que na proporção dos empregos que desaparecerão? Acredito que não.

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