A migração do ambiente físico para o digital, que experimentamos fortemente na última década, está provocando uma quebra na cadeia de entrega de produtos e serviços, levando a extinção de modelos de negócios que foram criados para fazer a intermediação entre o gerador do produto ou serviço e o consumidor final. É o que se chama de “processo de desintermediação”. Podemos constatar esse fenômeno em diversos segmentos da economia. Um dos exemplos mais emblemáticos refere-se às agências de turismo, que experimentou uma redução drástica de suas operações nos últimos anos. Isso se deve ao fato de que, na maioria das vezes, operavam como intermediadoras entre os hotéis e companhias aéreas, e os clientes finais. Esse tipo de intermediação fazia todo o sentido quando não se tinha a possibilidade de “conhecer” um hotel antes da viagem ou fazer uma compra facilitada de passagem aérea. Você confiava às agências de viagens esse papel. Hoje, com as plataformas digitais, nós passamos a ter mais autonomia, podendo fazer nossas escolhas com segurança.

Temos observado que as lojas de varejo físico estão indo para o mesmo caminho, especialmente as de eletrônicos e eletrodomésticos, neste primeiro momento. Você observa as pessoas analisando os produtos, anotando e fotografando suas especificações, para, depois, realizarem a compra, com segurança, por menor preço, na internet. Isso acontece, pois as lojas físicas de varejo também fazem um processo de intermediação entre a fábrica e o consumidor final. É outro modelo de negócio que vem sofrendo forte impacto com essa migração do físico para o digital, devendo em breve se reinventar. Outro setor que corre grande risco de desintermediação é o de imobiliárias. Há alguns anos existem plataformas digitais que já facilitam o processo de compra e venda de imóveis. Mas por se tratar de montantes financeiros bastante elevados, as imobiliárias ainda têm (ou tinham) um papel crucial nessa negociação. Falo isso, pois, recentemente, tem surgido plataformas que estão se preocupando exatamente com a parte final da negociação, dando garantias e seguranças plenas da transação financeira a ambas as partes. É só essas plataformas de fato entregarem esse serviço com qualidade e se popularizarem para que a desintermediação das imobiliárias ocorra.

Ao analisar todo esse cenário, faço-lhe uma pergunta para sua reflexão. Será que a instituição de ensino, da forma como a conhecemos hoje, corre o risco de ser desintermediada, na medida que, muitas vezes, faz a “ponte” entre o produtor do conhecimento (professor) e o aluno? Acredito, sim, que em alguns níveis e segmentos de nossa educação, a desintermediação deverá ocorrer, mesmo que de forma parcial. Não acredito nesse movimento na educação básica. Mas em escolas de formação de habilidades técnicas e em algumas áreas do ensino superior esse movimento já se iniciou. Hoje, plataformas como Udacity e Udemy têm milhares de oferta de cursos, com milhões de alunos matriculados. Nessas plataformas, os alunos apreendem de programação de computadores a passos de balé, de gastronomia, a acordes de violão, de teatro, à resolução de equações matemáticas complexas, diretamente de profissionais especialistas, sem a figura de uma instituição de ensino para mediar essa aprendizagem.

Enfim, somente o tempo nos dirá o grau de desintermediação que a tecnologia digital provocará no setor educacional. O importante é não olharmos para as quedas de matrículas que alguns setores vêm experimentando nos últimos anos e atribuir esse problema somente à crise financeira que estamos atravessando. Acredito que ela não é a única vilã desse processo.

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